Povos germânicos



BURGÚNDIOS
Os burgúndios eram um antigo povo germânico, proveniente da Península da Escandinávia. 
Os burgúndios se estabeleceram, no século IV, ao longo das margens do rio Reno. Formaram neste local um reino, cuja capital era Worms. 
Atacados pelos hunos no século IV, os burgúndios se dividiram em dois grupos. Um grupo foi para a Espanha, junto com os visigodos. Outro grupo obteve a permissão para se integrar, na condição de federados, do Império Romano, nas regiões da Gália e Germânia. 
Após a queda do Império Romano, seguiu-se um período de expansão sob o reinado de Gundebaldo, no começo do século VI. Porém, em 534 foram dominados pelos francos, apesar de conseguirem manter certa autonomia política como reino da Burgúndia. Este reino existiu na região da atual Borgonha na França. 
Relação dos principais reis burgúndios:
Godomário, Sigismundo, Gundebaldo, Godegisel, Chilperico, Gondicário.
Os burgúndios professavam o arianismo, mas, durante o período de permanência em terras francesas, muitos deles se converteram ao catolicismo. A religião foi fator de conflito com os povos do local e também com os romanos em algumas ocasiões.
Conseguiram edificar ainda dois reinos importantes. O primeiro se instalou na margem esquerda do rio Reno e apoderou-se das terras de Worms, Speier e Estrasburgo, as quais foram concedidas, posteriormente, pelo próprio imperador romano por ocasião de um pacto de trégua entre os dois povos. Mas, em 436, as tropas do general romano Flávio Aécio se encarregaram de submeter os Burgúndios e a completa destruição do território dos Worms e do reino burgúndio se deu pelas mãos dos hunos.
Já o segundo reino burgúndio se formou mais uma vez por concessão do Império Romano e foi organizado na região de Sapaudia. Tornaram-se aliados dos romanos durante algumas décadas e os ajudaram a combater alguns povos. Os Burgúndios acreditavam que um império de tal povo pudesse se organizar. Para isso, seus líderes negociaram com os senadores romanos uma expansão territorial e uma divisão de forças. Mas a consolidação do segundo reino foi marcada por muita violência e por muito sangue. Ainda assim, os Burgúndios conseguiram expandir seu poderio até o sudeste da França, mas foram completamente dominados pelos francos e plenamente absorvidos.

LOMBARDOS
Os lombardos eram um povo germânico escandinavo com grande capacidade militar.
Não há muitas fontes que comprovem ou esclareçam a história dos Lombardos, o que se sabe é que este povo surgiu no sul da Escandinávia, região da Europa Setentrional. Tudo indica que a ocorrência de uma grande população que se formou no local gerou a necessidade das migrações, fazendo com que os Lombardos se espalhassem para o sul.
Os Lombardos, também chamados de Longobardos, iniciaram uma longa jornada de migração que passou por diversos lugares. Algum tempo depois, colonizaram a região do vale do Danúbio. Mas foi de lá que partiram para se estabelecerem no local mais importante de sua história. Com a liderança de Alboíno, os Lombardos chegaram em 568 na Itália bizantina, invadindo a região e estabelecendo o Reino Lombardo, que mais tarde recebeu a denominação de Reino Itálico.
Após a conquista, nomearam a região de Lombardia, estabelecendo como capital a cidade de Pavia. Fizeram conquistas importantes até a região da Toscana e outras áreas ao sul da Península. 
O Reino Lombardo perdeu força e deixou de ser uma área autônoma em 774, quando começaram as conquistas dos francos, liderados por Carlos Magno. 
Fundaram vários ducados na Itália, sendo os mais importantes: 
- Lombardia Maior (região da Toscana e Itália setentrional): Ducado de Friul, Ducado de Verona, Ducado de Trento e Ducado de Tuscia.
- Lombardia Menor (Itália centro-meridional): Ducado de Spoleto, Ducado de Benevento, Ducado de Cápua e Ducado de Salerno.
Culturalmente, os Lombardos produziram pouco em relação à arquitetura. Por se tratarem de um povo com fases nômades, os Lombardos não possuíam estabilidade necessária para desenvolver suas obras. Foi somente na Panônia, e, sobretudo, na Itália que desenvolveram trabalhos típicos dos germanos lombardos. A conversão ao cristianismo facilitou ainda para que se produzissem afrescos e construíssem igrejas. São poucos, entretanto, os edifícios lombardos que resistiram até hoje. O lombardo (língua lombarda), falado pelos lombardos era uma língua germânica. Entrou em declínio a partir do século VII e entrou em extinção a partir do século XI. Atualmente é uma língua considerada extinta.

VISIGODOS
Os visigodos eram um dos povos germânicos (bárbaros), originários do leste europeu,  que invadiram o Império Romano do Ocidente nos séculos IV e V. Os visigodos eram um ramo ocidental do povo godo. Os Godos são um povo germânico de origem Escandinava que surgiu em torno do ano 200. Em pouco tempo migraram para o sul e atacaram o Império Romano e a Grécia. Em consequência do ataque feito aos romanos, foram respondidos com severidade e se refugiarem na margem esquerda do Danúbio. Foi neste local que os Godos enfrentaram uma divisão interna e dividiram-se então em Visigodos e Ostrogodos. 
No século IV, os visigodos começaram a avançar pelos territórios dominados pelos romanos. Começaram pela Península Balcânica e, logo em seguido, penetraram na Península Itálica. Em 410, os visigodos saquearam a cidade de Roma, centro do Império Romano do Ocidente.
Após entrarem na península Itálica, os visigodos continuaram sua marcha para o Ocidente e conquistaram o sul da Gália (região atual da França) e fundaram o Reino de Toulouse. Este reino teve duração de 418 a 507 e teve seu auge sob o governo de Eurico.
 Em 507 dominaram a região da Península Ibérica, vencendo vândalos, suevos e alanos, e fundaram o Reino de Toledo. Este reino visigodo na Espanha durou até 711. No século VIII, acabaram enfrentando movimentos de resistência e invasões que levaram ao fim da monarquia visigótica que havia sido estabelecida na Península Ibérica. A invasão muçulmana foi o principal fator para enfraquecer os Visigodos na região e encerrar seu reinado. A partir de então, os muçulmanos se tornaram muito presentes na Península Ibérica e estabeleceram-se no local por longos oito séculos, sendo que a região só voltou a ser dominada pelos habitantes do local após o duradouro processo de Reconquista que se encerrou apenas com a expulsão dos muçulmanos e a unificação da Espanha em 1492.
Os visigodos seguiam o paganismo, porém foram convertidos ao cristianismo ao se estabelecerem em territórios cristãos do ocidente europeu. Criaram o Direito Visigótico, que teve grande influência do Direito Romano. Dentro do Reino dos Visigodos eram cunhadas moedas de ouro.

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