Platão




PLATÃO (427-347 a.C)

Discípulo de Sócrates (470-399 a.C.), Arístocles, denominado Platão por causa de seus ombros largos, era filho de uma família da aristocracia e criador da Academia, foi precursor do pensamento idealista e ocupa notável influência no campo da filosofia e do pensamento humano. Viveu a experiência política da Atenas do século V a.C, numa
[...] espécie de democracia, embora somente dez por centro da população pudesse votar. Mulheres e escravos, por exemplo, estavam automaticamente excluídos. No entanto, os cidadãos eram iguais perante a lei, e havia um elaborado sistema de sorteios para garantir que todos tivessem uma chance justa de influenciar as decisões políticas (WARBURTON, 2013, p.6-7).

Apesar de ter sido discípulo ou seguidor de vários filósofos, entre eles Sócrates, o filósofo criador da teoria das formas, pode ser considerado um dos grandes filósofos clássicos, talvez o iniciador da corrente idealista, que influencia até hoje o pensamento humano. Platão construiu um pensamento voltado para a dimensão ética e política da existência humana.

Amor platônico

Ficou popular a expressão “amor platônico” como sinônimo, em termos vulgares, de algo idealizado ou “contemplativo”, mas, tal expressão merece uma reflexão inicial sobre o pensamento de Platão. Qual a razão desta expressão?
Segundo Marcondes
[...] enquanto Sócrates considerava a filosofia como um método de reflexão que levaria o indivíduo a uma melhor compreensão de si mesmo, de sua experiência e da realidade que o cerca, passando por um processo de transformação intelectual e de revisão e reavaliação de suas crenças e valores, para Platão a filosofia é essencialmente teoria, isto é, a capacidade de ver, através de um processo de abstração e de superação de nossa experiência concreta, a verdadeira natureza das coisas em seu sentido eterno e imutável, de conhecer a verdade portanto. O conhecimento teórico é necessário e indispensável para o método de análise, procedendo-o e tornando-o possível. É nele que o método se fundamenta. Para Platão é necessário, assim, uma metafísica, entendida como doutrina sobre a natureza última e essencial da realidade, para que se possa definir o tipo de compreensão e de conhecimento que se possa ter dessa realidade. [...] A principal consequência dessa concepção para o desenvolvimento da filosofia é que, na medida em que a tarefa filosófica passa a definir como teórica, contemplativa, especulativa, dirigida assim para uma realidade abstrata e ideal, a reflexão filosófica afasta-se progressivamente do mundo de nossa experiência imediata e concreta, passando a ser vista como contemplação e meditação. Isso ocorrerá de fato com algumas correntes do platonismo no período do helenismo [...], especialmente com o neoplatonismo e, em alguns casos, com o platonismo cristão (MARCONDES, 2006, p.57).
Platonismo
Os elementos da doutrina de Platão podem ser enumerados em três itens, a saber: o primeiro seria a doutrina das ideias
[...] segundo a qual são objetos do conhecimento científico entidades ou valores que têm um status diferente do das coisas naturais, caracterizando-se pela unidade e pela imutabilidade. Com base nesta doutrina, o conhecimento sensível, que tem por objeto as coisas na sua multiplicidade e mutabilidade, não têm o mínimo valor de verdade e podem apenas obstar à aquisição do conhecimento autêntico (ABBAGNANO, 2012, p.892).

A teoria das formas ou doutrina das ideias, uma concepção de um reino de formas ideais e um mundo sensível, parece ser o elemento mais visível da significativa obra de Platão. Para ele “o mundo da experiência é ilusório, [...] uma vez que só o que é imutável e eterno é real, ideia que tomou emprestado da de Parmênides”. A concepção destes dois mundos, o sensível (ilusório) e o inteligível (ideal), até hoje influencia o pensamento, especialmente sobre a teologia cristã.
A segunda doutrina do platonismo é a “doutrina da sabedoria sobre a erudição, ou seja, do objetivo político da filosofia, cuja meta final é a realização da justiça nas relações humanas e portanto em cada homem” (ABBAGNANO, 2012, p.892).
O terceiro elemento da doutrina de Platão é a doutrina da dialética “como procedimento científico por excelência, como método através do qual a investigação conjunta consegue, em primeiro lugar, reconhecer uma única ideia, para depois dividi-la em suas articulações específicas (ABBAGNANO, 2012, p.892).
Abbagnano adverte que estes são “três aspectos polêmicos que opuseram Aristóteles e Platão” e que eles “não esgotam a doutrina original de Platão, que, portanto, não coincide com o Platonismo”, ou seja, “os elementos da doutrina de Platão considerados característicos desde Aristóteles” (ABBAGNANO, 2012, p.892).



Ideia - Teoria das formas 


O termo ideia, em Platão, assim como em Aristóteles, os escolásticos e Kant, segundo Abbagnano, significaria “a espécie única intuível numa multiplicidade de objetos, [...], como unidade visível na multiplicidade”, e apresenta “caráter privilegiado em relação à multiplicidade, pelo que é frequentemente considerada a essência ou a substância do que é multíplice e, por vezes, como o ideal ou o modelo dele” (ABBAGNANO, 2012, p.608). Mas, o termo também pode significar “um objeto qualquer do pensamento humano, ou seja, uma representação geral” (op. cit. p.608), assim empregado por “Descartes, pelos empiristas, por boa parte dos filósofos modernos e costuma ser usada nas línguas modernas” (idem).
Num diálogo entre Parmênides e Sócrates, narrada por Platão, a ideia se apresenta como unidade ou espécie única, “como exemplares na natureza, e as outras coisas se assemelham a elas e são imagens delas, [...] imagens da espécie, [...] um uno e muitos em si, e outras coisas desse tipo” (ABBAGNANO, 2012, p.608). Por exemplo, existiria a espécie do justo em si, do belo em si, o grande em si, mas, Sócrates tinha dúvidas em admitir a existência de espécies separadas das coisas correspondentes que podemos manipular, como a existência de uma espécie do homem, do fogo, da água, separada de nós. Assim, Abbagnano indica, a partir desse diálogo entre Parmênides e Sócrates, três classes de objetos:
1º Objetos dos quais com certeza existem ideias, que são: a) os objetos matemáticos igualdade, um, muitos etc.; b) os valores:  o belo, o justo, o bem etc.; 2º Objetos dos quais é duvidoso que existam Ideias: as coisas naturais, o fogo, a água ou o homem; 3º Objetos dos quais com certeza não há Ideia, que são as coisas vís ou geralmente as que não têm valor (ABBAGNANO, 2012, p.609).

Platão fala de Ideia no sentido encontrado nos itens “a” e “b”, as Ideias matemáticas e as Ideias valores, “com o fim de chegar a certas demonstrações, formas naturais como o calor, o frio, a doença e a febre [...] ou formas artificiais, como a cama [...], mas nunca falou, a não ser para excluí-las, de formas correspondentes à terceira classe de objetos” (ABBAGNANO, 2012, p.609). Tais Ideias não são objetos transcendentes ou supracoisas, antes são independentes, “separadas” das outras coisas, “critérios para julgar as outras coisas no sentido de que, por exemplo, a igualdade permite julgar se duas coisas são iguais ou não” (idem).
Platão, existiriam “um reino de formas eternas e imutáveis” e suas reproduções, fenômenos efêmeros, encontrados no plano da experiência dos sentidos. Ter-se-ia, por exemplo, a existência de vários “cavalos, gatos e cães individuais [...] feitos à imagem da forma universal de “o cavalo”, “o gato”, “o cão” e assim por diante” (STOKES, 2012. P.42).
Assim, o discípulo de Sócrates entendeu que o processo para a obtenção do conhecimento abrange dois domínios: o domínio das coisas sensíveis, enquanto eikasia – “representação, imagem, comparação” (PEREIRA, 1976, p.167) e phístis – “fé, confiança em outro, crédito” (op. cit., p.460) e o domínio das ideias – conhecimento científico, enquanto diánoia - “inteligência, pensamento, reflexão, opinião, plano” (op. cit., p.134), etc., ou dianoético, “próprio das ciências propedêiticas (ciências matemáticas) e nóesis - “faculdade de pensar, inteligência” (PEREIRA, 1976, p.390), conhecimento intelectual ou filosófico, próprio da dialética” (ABBAGNANO, 2012). Nesse sentido, Platão admitia duas ordens de conhecimento científico,
Trata-se da visão de mundo da realidade dividida em dois níveis: o das ideias - um mundo real e verdadeiro - e o mundo sensível, em que a maioria da humanidade viveria, uma condição de ignorância; no mundo das coisas sensíveis - este mundo -, no grau da apreensão de imagens (eikasia), as quais são mutáveis, não são perfeitas como as coisas no mundo das ideias e, por isso, não são objetos suficientemente bons para gerar conhecimento perfeitos.
Alegoria da caverna
Em seu livro “A República”, Platão descreve uma sociedade utópica dividida em três grupos: guardiães, que seriam filósofos treinados para o governo, e por isso abdicariam “seus próprios prazeres em nome dos cidadãos que governavam” (WARBURTON, 2013, p.6), depois os soldados, treinados para defender o país, e pessoas comuns, trabalhadoras. “Na República, o cidadão ideal é aquele que compreende a melhor forma de usar seus talentos em benefício da sociedade, apegando-se de modo fiel a essa tarefa. Há pouca atenção à liberdade pessoal ou aos direitos individuais na República, [...], para o bem do Estado” (STOKES, 2012, p.42-43), que manteria em equilíbrio perfeito e racional os desejos e emoções. Isto levou pensadores, como Bertrand Russel, a acusar Platão de endossar um regime elitista e totalitário.
Em certo sentido, é possível ver na República, de Platão, uma tentativa de refletir sobre uma sociedade ideal ou de “descobrir a forma ideal da sociedade” (STOKES, 2012. P.43). A sociedade imperfeita, vivida pelos homens, seria uma cópia da sociedade ideal, justa, promotora do bem de todos, invencível por seus inimigos. Nesse sentido, a República estaria ligada à sua teoria das ideias ou sua concepção de um mundo inteligível reproduzido imperfeitamente no mundo dos homens. O mundo não seria “o que realmente parece ser”, havendo “diferença entre a aparência e a realidade”. “Platão acreditava que somente os filósofos entendem como o mundo verdadeiramente é. Em vez de confiar nos sentidos, eles descobrem a natureza da realidade pelo pensamento” (WARBURTON, 2013, p.4-5).
Platão fala de uma caverna com moradores acorrentados, que viam a realidade por meio de sombras que eram projetadas na parede interna daquele lugar, habitado por pessoas acorrentadas por grilhões, de modo que estes não conseguiam olhar para a entrada da caverna, mas apenas para as sombras projetadas. Essa alegoria é uma metáfora da condição humana quanto à questão do conhecimento filosófico e à educação como forma de superação da ignorância e passagem do senso comum, o mundo das sombras vistas na parede da caverna, o mundo sensível, para uma explicação da realidade com base no conhecimento filosófico e causal do mundo das formas ou das ideias, o mundo inteligível.
Além da alegoria tratar de uma visão dual do mundo, em que o homem está inserido num mundo de sombras e aparências em meio à possibilidade ofertada pelo conhecimento dianóico ou da nóesis – o saber intelectual ou filosófico, Warburton afirma que a alegoria da caverna está atrelado à teoria platônica das formas, que exemplifica:
[...] Pense em todos os círculos que já viu na vida. Algum deles era um círculo perfeito? Não. Nenhum deles era um círculo absolutamente perfeito. Em um círculo perfeito, todos os pontos da circunferência são equidistantes do ponto central. Círculos reais nunca alcançam esse êxito. Contudo, você entende o que eu disse quando usei as palavras “círculo perfeito”. Então o que é esse círculo perfeito: Platão diria que a ideia de um círculo perfeito é a forma de um círculo. Para entendermos o que é um círculo, precisamos nos concentrar na forma do círculo, e não nos círculos existentes que traçamos e experimentamos pelo sentido da visão, pois todos são imperfeitos de alguma maneira (WARBURTON, 2013, p.5-6).



Sabedoria – fim da filosofia


Segundo Abbagnano o “conceito de sabedoria refere-se tradicionalmente à conduta racional nas atividades humanas, ou seja, à possibilidade de dirigi-las da melhor maneira” (2012, p.1021), diferentemente da ideia que aponta a sabedoria como “conhecimento das coisas elevadas e sublimes, afastadas da humanidade comum o que é expresso por sapiência, mas o conhecimento das atividades humanas e da melhor maneira de conduzi-las” (idem). Assim, pode-se dizer que a sabedoria não é um fim em si mesmo, na concepção platônica, antes “a disciplina racional das atividades humanas: comportamento racional em todos os domínios ou virtude de determinar o que é bom e o que é mau para o homem” (idem).
Por isso, Platão diferencia, como já assinalado, a sabedoria “da erudição, ou seja, do objetivo político da filosofia, cuja meta final é a realização da justiça nas relações humanas e portanto em cada homem” (ABBAGNANO, 2012, p.892), ou seja, sabedoria como conduta racional da vida humana, como apresentado na República, de Platão.
É possível que Platão tenha feito tal distinção, ainda que em parte, face à sua oposição ao pensamento sofista, representado por Protágoras e Górgias. Os sofistas eram “mestres de retórica e cultura geral” (ABBAGNANO, 2012, p.1086), exercendo grande “influência sobre o clima intelectual grego nos séculos V e IV a.C.). Exerciam a filosofia como profissão e entendiam que deveriam ser remunerados pelo seu ofício.

Seus fundamentos podem ser assim resumidos: 1º O interesse filosófico concentra-se no homem e em seus problemas, o que os sofistas tiveram em comum com Sócrates. 2º O conhecimento reduz-se à opinião, e o bem, à utilidade. Consequentemente, reconhece-se a relatividade da verdade e dos valores morais, que mudariam segundo o lugar e o tempo. 3º Erística: habilidade de refutar e sustentar ao mesmo tempo teses contraditórias. 4º Oposição entre natureza e lei; na natureza, prevalece o direito do mais forte. Nem todos os sofistas defendem estas teses: os grandes sofistas da época de Sócrates (Protágoras e Górgias) sustentaram principalmente as duas primeiras. As outras foram apanágio da segunda geração de sofistas (ABBAGNANO, 2012, p.1086).

Para Platão a sabedoria deveria ser o fim último da filosofia, de modo a orientar e conduzir racionalmente, da melhor maneira possível, a conduta humana. Como alcançar a sabedoria? A teoria das formas e a utilização do método dialético, permitiriam encontrar a natureza essencial das coisas, objetivo do filosofar abstrato e ideal do pensamento platônico.

Dialética – o método científico por excelência

Sem pretensões de apresentar plenamente a dialética platônica, brevemente, serão indicados alguns elementos primeiros e básicos à compreensão de seu método.
O termo dialética deriva do adjetivo grego dialégu, que pode ser traduzido por aquilo “que diz respeito à discussão, [...] hábil para a discussão” (PEREIRA, 1976, p.132). Esta palavra teve significados diferentes ao longo do tempo. Para Abbagnano “é possível distinguir quatro significados fundamentais: 1º Dialética como método de divisão; 2º D. como lógica do provável; 3º D. como lógica; 4º D. como síntese dos opostos” (2012, p.315). Eles se referem, respectivamente, à doutrina platônica, a aristotélica, a estóica e a hegeliana.
Abbagnano explica que, em Platão, a dialética “é a técnica de investigação conjunta, feita através da colaboração de duas ou mais pessoas, segundo o procedimento socrático de perguntar e responder” (ABBAGNANO, 2012, p.315); é o momento em que os homens “vivem juntamente” e “discutem com benevolência”, numa atividade que é própria de “uma comunidade da educação livre” (idem).
Segundo este autor a dialética de Platão compõe-se de dois momentos: 1º) “consiste em remeter as coisas dispersas para uma ideia única e em definir essa ideia de tal modo que possa ser comunicada a todos” (ABBAGNANO, 2012, p.315), alcançando, assim, a definição da ideia; 2º) segue-se o procedimento da divisão, que “consiste ‘em poder dividir de novo a ideia em suas espécies, seguindo suas interações naturais e evitando fragmentar suas partes como faria um trinchador canhestro’ (Fed., 265 d)” (op. cit., p.316). Assim, seria possível reconhecer a possibilidade apropriada em proceder coerentemente. Diz Abbagnano:
Uma vez definida a ideia, Platão divide-a em duas partes que chama, respectivamente, de lado esquerdo e lado direito, caracterizadas pela presença e pela ausência de certo caráter; depois, divide o lado direito da divisão, em duas outras partes, que também serão chamadas de esquerda e direita, utilizando um novo caráter; e assim por diante (Fed., 268 a-b). Esse procedimento pode deter-se em certo ponto ou ser retomado a partir de outra ideia. [...] Esse é o procedimento que Platão utiliza em Fedro para definir o amor como “mania”, dividindo depois a mania em má (esquerda) e boa (direita) e procurando ainda as determinações da boa mania. Em O sofista, esse mesmo procedimento serve para definir a figura do sofista. A característica desse procedimento é a possibilidade de escolha (em cada passo) da característica capaz de determinar a divisão oportuna em direita e esquerda, ou seja, de tal modo que a linha de articulação do conceito seja seguida, e não ‘cortada’. [...] o objetivo da divisão dialética [...] (é) a busca, a escolha e o uso das características efetivas de um objeto, com o fim de esclarecer a natureza, ou melhor, as possibilidades (δυνάμεις) desse objeto (ABBAGNANO, 2012, p.316).
É possível dizer que Platão pretendia “definir é a natureza essencial de algo, [...] ora, é precisamente a natureza essencial das coisas que Platão chama de forma ou ideia, partindo da questão socrática, mas, ao mesmo tempo, reformulando-a” (MARCONDES, 2006, p.56), que, segundo ele, poderia ser alcançada pelas reminiscências obtidas por uma educação que aplicasse o método dialético, em busca da natureza essencial de todas as coisas.



BIBLIOGRAFIA


ABBAGNANO, Nicola. Dicionário de filosofia. Tradução de Ivone Castilho Benedetti. São Paulo: Martins Fontes, 2012.

MARCONDES, Danilo, Iniciação à história da filosofia: dos pré-socráticos a Wittgenstein. 10 ed. Rio de Janeiro: Zahar, 2006.

PEREIRA, Isidoro, Dicionário Grego-Português e português-grego. 5. ed. Porto: Livraria Apostolado da Imprensa, 1976.

STOKES, Philip. Os 100 pensadores essenciais da filosofia: dos pré-socráticos aos novos cientistas. Tradução de Denise Cabral de Oliveira. Rio de Janeiro: DIFEL. 2012.

WARBURTON. Nigel. Uma breve história da filosofia. Tradução de Rogério Bettoni, 3 ed. Porto Alegre: L&PM, 2013.

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